Salvo engano,
atrás do pano,
há sempre alguém esperando
para desaparecer.
terça-feira, 18 de março de 2014
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
quinta-feira, 1 de agosto de 2013
quarta-feira, 31 de julho de 2013
Elegia
apesar dos desencantos
onde sempre acaba o fôlego
o poder de sonhar é tão forte
que os meus sapatos nunca descansam
tropeços e cansaços são parte do jogo
me sopra um velho amigo
viver é uma estrada vazia
eu vos digo
na margem se colhe o vento que se desprende
a exaltação e o sustento
o que há adiante são minhas mãos sobre a terra fria
as pétalas das flores, as nuvens do céu, as horas do dia
para quê?
a vastidão do meu ser não se encerra em mim
converge noutros vazios
e eu não volto mais
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Banda do mar
Navego demasiadamente sedento por entre as rugas da água e a
carícia do vento.
Sou eu que cresço e arrebento.
Sou o que tomo nas mãos as tuas vestes.
Não tenho parte alguma nesse todo, mas tudo, em maresia, vive
dentro de mim.
Eu quero a lida eterna da navegança .
Beijar o sal na tua boca.
Cantar o canto do teu povo e partir pra dentro de mim.
Um abraço líquido em que me afogo.
Na banda do mar que abri...
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Uns
Uns dizem
que sim.
Balançam a
cabeça positivamente.
Servilmente.
E caem na
dança, no engodo da salvação.
Do corpo, da
alma, do medo.
Socorro.
Uns dizem
que não.
Sacodem todo
o esqueleto em negativa.
Altivamente.
E saem nas
ruas, encharcam as praças, tomam os palácios.
De corpo, de
alma, de amor.
Estardalhaço.
Vai devagar
com o andor que o santo é de barro.
Vou.
Não vou!
Devagar eu
vou com a dor.
Sorvida
lenta, em pequenas doses e grandes certezas.
Cozida em
fogo baixo tipo Maniçoba.
Tipo meu
coração endurecido, desencarnado, desfibrilado em uma panela de pressão.
Uns dizem
que não.
Eles
rechaçam, se rebelam, se reciclam, se rejuntam e se vão.
Pelas brechas, frestas, buracos de estio na
nuvem cinza da rotina.
Eles
brilham.
Eles sobem
e, lá no alto, bem no alto, eles chovem.
Eles
espalham o não.
O não
escorre.
Pelas
selvas, pelas catástrofes, pelo caos da cidade, por todas as certezas do sim.
Eles
invadem.
Por você,
por mim.
Pelo fim.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Simpatia
A onda passou e todo
o resto derramou-se.
E toda planta
esparramou-se nas minhas paredes.
O verso triste do
meu poema escorreu nos sulcos da minha cara.
Bonito e histérico,
grito.
Amor, vem comigo!
Lúcido, calmo e
sucinto.
Teu olho me olha no
instante oposto, simétrico.
Na minha vertigem.
Côncavo e convexo.
Pensamento certo.
Progresso para os
nossos.
Desistir é para os
fracos.
Pelo amor, pela evolução,
faço votos.
Tô de volta à velha
escola,
A boa esquina da
prosa.
À tôa.
Feito menino
desgarrado da mão, da mãe.
Vida, dádiva sorvida entre um trago e um gesto.
Mão nos cabelos,
cabeço do mundo, coração no compasso.
É de verso e sangue
a minha loucura.
Na espuma do tempo o
vento escorrega.
Cabe tudo, só não o
lamento.
Saudade é rua cheia,
carnaval na varanda de casa.
Passa:
avenida, pés descalços, calçadas.
Pá virada.
Encheu, derramou.
Lavada a alma, agora
me vou.
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