segunda-feira, 24 de março de 2014


desperdiça um tanto de alma

aquele que chega à sua margem

e, mesmo olhando a si mesmo

frente a frente,

não mede luz nem profundidade.

terça-feira, 18 de março de 2014

Alta afinidade

orgia e poesia
por que não juntas?
afinal, palavras se entrelaçam e se enamoram
como também se enamoram e se entrelaçam os corpos
palavra puxa-palavra e gente chama gente
na relação direta do côncavo e do convexo
palavras fazem sexo
e a vida nasce no ventre da gente

Andai-me

sou operário na (des)construção civil
de qualquer ordem arquitetada
por engenheiro ou mestre de obra
sigo desmisturando o cimento do eu
com o momento líquido
poeira
meu coração gira, gira, gira
no fundo de uma betoneira
e minha língua arranha o céu
da sua boca, estrela
o vão aberto da marquise
a queda livre do suicida
o saco plástico que voa
enfeita a cidade deserguida
o homem chora a lágrima descaída
o pão não é concreto, decerto
tudo é tão vago, apago
no meio da multidão
deserto,
a andar em ti
em mim
a andaime 
Salvo engano,
atrás do pano,
há sempre alguém esperando
para desaparecer.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Saudade
mata a gente
de foi-se

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Faz escuro e mesmo assim eu canto.
A palavra acenada tem luz.
A música do amor tem encanto.
Pelo breu que há em tudo,
manso, teu olho me conduz.


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

não tem mistério
a vida
é toma lá
da cá
quer ir embora vá
mas não me leve

tão a sério

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

                 q u a n t o
                      m a i s
                         d i n h e i r o
           m e n o s
v i d a
      
  c h e g o u
                   o
                       s o n h o
     
         e i s
u m
        n o v o

p a r a d i g m a

á g u a
          d e r r a m a n d o  
                       d o
                             o l h o 
s a l 

 a g o s t o

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Elegia



apesar dos desencantos
onde sempre acaba o fôlego
o poder de sonhar é tão forte
que os meus sapatos nunca descansam
tropeços e cansaços são parte do jogo
me sopra um velho amigo
viver é uma estrada vazia
eu vos digo
na margem se colhe o vento que se desprende
a exaltação e o sustento
o que há adiante são minhas mãos sobre a terra fria
as pétalas das flores, as nuvens do céu, as horas do dia
para quê?
a vastidão do meu ser não se encerra em mim
converge noutros vazios
e eu não volto mais