Amar é caminhar beirando o abismo.
E os caminhantes,
alheios a possibilidade da queda,
Dançam, cantam e abraçam o perigo.
Amar é um desaviso.
Mas, pobre dos que não se arriscam:
não aprenderão a andar
e nunca entenderão o que eu digo.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
+ amor
Na busca pelo entendimento o amor se perde, se acha e se ergue.
É sim, escudo e espada.
Amor é contagioso e espalha, vai na brisa.
E em todo momento de prazer existe.
Amar é preciso, porque a vida não basta.
.
É sim, escudo e espada.
Amor é contagioso e espalha, vai na brisa.
E em todo momento de prazer existe.
Amar é preciso, porque a vida não basta.
.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Quando o gemido irrompe e arrepia
A primavera grita
Quando um sorriso, matreiro, desenha a face
Uma afronta
Defronte ao mar
Acerto o ponto
À margem
Alinho o traço
Teu corpo, de areia e sal,
melado
Leio em braile
Quando oceano, entregue à praia,
abraço
Quando você, farol
Acendo
Na sua língua
Na ponta
Era visgo
Minha libido
Era vida
Saliva de maré cheia
Serei eu?
Tanto mar
Serei-a
Arranha céu
A unha do desejo
Na beira do Atlântico
Obsceno
Teu beijo
Beijo
E observo
O mundo a sós
Na tempestade
Sou barco
Tem outro lado?
Atravesso
Sou novo
E têm estrelas a me dizer:
-Bem- vindo a era de Câncer!
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Pedra 90
Amigo é essa coisa que a gente rega todo dia e cresce.
E no dia seguinte a gente planta novamente.
E daí cresce e multiplica.
E daí fica, encosta no peito e protege, joga pro alto e apara, não acaba.
Não dá cabo de tanto esperar pra ver de novo.
Num amanhecer lá em cima do morro, uma viola encantada toca a música dos nossos sonhos.
É essa coisa erguida em sólido alicerce, que não entorta nem cede a qualquer brisa.
E imponente nossa arquitetura se ergue.
No horizonte onde a manhã esclarece, a nossa vida prossegue plena e iluminada pela amizade deles...
E no dia seguinte a gente planta novamente.
E daí cresce e multiplica.
E daí fica, encosta no peito e protege, joga pro alto e apara, não acaba.
Não dá cabo de tanto esperar pra ver de novo.
Num amanhecer lá em cima do morro, uma viola encantada toca a música dos nossos sonhos.
É essa coisa erguida em sólido alicerce, que não entorta nem cede a qualquer brisa.
E imponente nossa arquitetura se ergue.
No horizonte onde a manhã esclarece, a nossa vida prossegue plena e iluminada pela amizade deles...
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Palo Alto
Mais do que ouvir o astrônomo instruído como fez Whitman, é preciso entender os sinais que a vida dá, porque sim, eles existem. Não é numa manhã de terça-feira que tudo desaba. Não é numa noite em claro que tudo se desespera. Não. Coisas antecedem coisas, ondas sucedem ondas, na prática relação causa-efeito.
Sabemos o que é música porque antes nos foi permitido apreciar o silêncio. Gostamos da luz, porque antes tememos a escuridão. Uso essa comparação um tanto clichê, pois assim me faço entender de maneira mais clara e pop. Uso antagonismos porque muitas vezes questionei: por que eu? Ou, por que não eu?
Antes de desejar ter outra vida permiti-me conhecer a minha. Agora, toda vez que eu olhar o cara do paletó, no seu carrão com ar-condicionado e pensar: ali vai um cara super satisfeito com a vida dele. Ou olhar um mendigo de rua e pensar: como pode alguém escolher viver assim? Vou lembrar-me da minha vida e dizer: Ufa! Que bom que esse sou eu.
Vou lembrar que tive infância. Que fui bem criado e educado. E que não tive tudo que quis, mas sempre tive o que precisei. Saber que nisso não há nada de conformismo me faz melhor. Há sim entendimento e compreensão. Há a maturidade do arrependimento e o gozo da vitória também. Nisso, há vida em sentido puro, há alma em mutação, há, mais do que nunca, um coração em metamorfose.
Tiro as borboletas do estômago e as levo para os meus jardins. Deixo o brilho para o sol e a brisa pra uma tarde de domingo. Deixo o charme para os manequins, a maquiagem para as pin-ups e a boemia para os botequins. As coisas são o que são, e nada vai mudar isso.
Fico, e finjo que o queria mesmo era ir embora. Abro os olhos dos meus olhos e os ouvidos dos meus ouvidos, como sugere Rubem, o Alves. Tudo agora é som, e toda palavra me diz, toda vida me ensina. Acho pedras divertidas, como Caeiro e tiro as pedras do caminho, como Drummond. Acredito no latim do Carpe Diem e no amor puro de Djavan.
Olho e repouso sob a sombra de uma árvore frondosa e cheia de frutos. Seus galhos e ramificações se encontram, sua seiva alimenta e fortalece o tronco forte da amizade. Nas suas pontas, bem lá no alto, no mais perto da beleza em que posso chegar, vejo:
Cynara, seus sonhos, palavras e raios de sol. Junior, Simone e seus filhotes, são aquilo que eu quero me tornar. Eveline, a irmã de alma que Deus me deu. Gustavo, desde pequenininho, fala ai Dinho! Marcelo, Peu, Gui, Diego, Marcel. Salve o Diego daqui, o Nêgo e a nega Mariana. Salva ai Caio e Pecinho! Marcinha e seus rebentos, que família linda. Xexinha, como é bom ouvir tua voz, sentir tua força e compartilhar de tanta empolgação. Marco e as palavras sábias. Meus colegas da lida diária aqui na Formato e sua compaixão.
Vejo também aqueles para os quais eu nunca vou deixar de gritar: aí sim família! Estamos juntos. Contemplo todos que me amam e cabem nessa crônica. Todos que eu quero bem e não me abandonam. Dadai, que sorte a nossa! Tarik, sem palavras. Muito obrigado sempre.
Vejo de perto e, principalmente, os que são parte de mim. Que me fazem todo dia lembrar quem eu sou, de onde vim e pra onde eu posso sempre voltar. No verso sabiamente cantado por Mano Brown, “Família em primeiro lugar, é o que há”.
Sento e repouso após um dia longo. Eventualmente a brisa chacoalha as folhas, o sol escapa por entre os galhos e esquenta um pedacinho da minha perna esticada. De vez em quando vem um Bem-te-vi, outrora um Papa-capim que canta B.B King. Meus pés escarafuncham a terra, acordando as larvas e as essências silvestres. Lavoura Arcaica é o que me ocorre, como um lapso de vida passada.
Numa moldura solta, pela qual passam nossas histórias, vejo Anike dando-me um banho e me acalmando com panos quentes. Meu Pai sentado à mesa tarda o fim do café. Enquanto minha Mãe canta um louvor na cozinha que reverbera pelo corredor e chega perto do céu. Minha vó Gracil, como a Úrsula de Garcia Marquez, é testemunha. Sua sofrência e o seu clamor à Santa Rita põe velas acesas.
Á minha frente um grande vale escorre por entre as pedras mais altas. O caminho é uma linha riscada em meio ao bailado do capim e da capoeira. Saco do meu alforje minha única arma, que é escudo e também espada. Que é minha bagagem, meu refúgio nas noites de chuva, a lamparina quando a lua não vem; o meu pão, meu corpo e meu vinho. O amor: essa é a minha foice de abrir caminho.
Levanto e me lembro de um dia ter escrito algo assim: sustento-me, carrego um peso sem medida, seguindo o exemplo da Formiga.
É preciso seguir, na Via Crucis ou na Highway ampla e veloz. No percurso ou no contra fluxo. A Primavera já está, e mais um Verão vem aí.
Abriu meu sinal. A vida não espera para acontecer.
Porque eu?! Porque sim...
É preciso seguir, na Via Crucis ou na Highway ampla e veloz. No percurso ou no contra fluxo. A Primavera já está, e mais um Verão vem aí.
Abriu meu sinal. A vida não espera para acontecer.
Porque eu?! Porque sim...
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Invenção
Quem inventa o amor, o faz em desvario, e por vezes sofre ao vê-lo mínimo, parco e desbotado.
Quem inventa uma felicidade, desespera-se ao vê-la falsa e sem sabor numa tarde vazia.
Quem inventa um conto, aumenta um ponto, dá nó em pingo de éter e tem o que dizer quando for avô (a).
Quem inventa a si mesmo surpreende-se ao ver-se vistoso e revigorado.
Quem inventa de ser o que não é, sorri ao não reconhecer-se no espelho, mas logo dá com a cara no chão e os burros n´agua.
Quem inventa a dor, frustra-se ao perceber que sua dor é menor que a do outro, e que as do mundo desatinam a doer sem medida.
Quem inventa o dia, um pôr-do-sol lilás, borboletas azuis num voo suave, uma orquídea no meio da mata;
Quem inventa a mata e as árvores frondosas com bichos nas galhas;
Quem inventa a paz, a liberdade, o desapego;
Quem inventa Deus e o Diabo numa terra sem sol;
Quem inventa a paixão, o contrário, a solidão;
Uma praia deserta e a gente deitado nela;
A canção, uma oitava acima de todos nós;
Quem inventa uma nova saída, um lugar para boas ideias;
Quem inventa de ser teimoso e acha o caminho das pedras;
Quem inventa de morrer e passa pro lado de lá;
Quem inventa o mundo, o absurdo de acharmos que somos únicos;
Quem inventa eu, você, outrem, outrora, a hora, agora;
Quem inventa é sábio. Tem alma de criança e espírito livre.
Porém, quem nada inventa, nada vive.
Quem nada inventa, já morreu.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Somos um
Ela:
Nosso amor é esse tal, não grita nem pede esmola, não sente fome porque se sacia naturalmente, é amor de casa, de ouvir mazelas e acalmar o medo. É amor construído com barro batido sobre terra firme. É aquele amor da vitamina de banana, do jeito de cortar o abacaxi pro outro, do cuidado, do pano morno na testa dos dias de enxaqueca. É sutil, é de sussurros, é de verdade.
Ele:
É amor tecido de sutilezas, bem nascido e, por ser assim, complexo. Mas a complexidade está na sua engenharia, na trama forte das nossas ligações, no cingir do dia-a-dia, na tez clara da nossa admiração e na reciprocidade dos sorrisos. Somos partes um do outro e juntos parte de um todo. Esse todo é o que a gente não consegue colocar em palavras, aquilo que se mede pelo brilho dos olhos e pelo peso das lágrimas. Nosso amor é esse tal, que não se explica, esse que pula, pulsa, escorre, transborda. É a nossa arquitetura, nosso altar decorado de orações, nosso zelo. Esse tal amor é o nosso amor, é transcendental.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Vestígios
Esse escrito é de um tempo bom. No frio de Vitória da Conquista nossas palavras viraram música. Na voz de Eveline nos classificamos para etapa final do Festival de Música da Bahia na concha acústica do TCA. Hoje, continua ecoando no Reggae Music da Ramanaia.
Pra quem não vê o sol,
E passa as horas a contar história de um tempo que não vai ficar.
E passa as horas a contar história de um tempo que não vai ficar.
A dança das ondas sob a luz do luar
Se desfaz com o vento voltando pro mar.
Se desfaz com o vento voltando pro mar.
Tentando encontrar vestígios
De algo que ficou pra trás e que insiste em me acordar.
É impossível não querer, ver nascer o sol
Olhar pra frente e ver,
Achar o meu lugar, achar o meu lugar.
De algo que ficou pra trás e que insiste em me acordar.
É impossível não querer, ver nascer o sol
Olhar pra frente e ver,
Achar o meu lugar, achar o meu lugar.
Quero te encontrar em cada olhar pra ver:
passado e futuro,
Nesse instante a se fundir
Pra me levar bem longe daqui...
Cruzando desertos e mares então eu percebi
Que do meu destino eu não posso fugir.
Nesse instante a se fundir
Pra me levar bem longe daqui...
Cruzando desertos e mares então eu percebi
Que do meu destino eu não posso fugir.
Tentando encontrar vestígios,
Daquilo que ficou pra trás e nunca mais vai me acordar...
É impossível não querer ver nascer o sol
Olhar pra frente e ver que aqui é meu lugar...
Estou no meu lugar...
Você é meu lugar...
É impossível não querer ver nascer o sol
Olhar pra frente e ver que aqui é meu lugar...
Estou no meu lugar...
Você é meu lugar...
Quero te encontrar em cada olhar, pra ver....
Versão audiovisual: http://www.youtube.com/watch?v=21r-TpiMJYs
Versão audiovisual: http://www.youtube.com/watch?v=21r-TpiMJYs
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Tupiniquim
Pus fogo no verso.
Fiz a brasa brasileira incendiar minha palavra.
Fiz minha chama tremular no olhar estrangeiro.
E o que eu disser, na minha língua, pode ser de amor ou de mágoa;
Seja por mar ou por terra, é o que vai chegar primeiro.
Pus meu discurso a sambar na boca do povo.
Nos corações, em qualquer que haja batuque, faço assento.
E verso larga prosa para as nossas dores.
E dou à prosa, o amor dos poetas.
E aos poetas a brisa do contentamento.
Sobre os seios da mulata debrucei meu ditado.
E sendo dito como um moleque vadio.
E sendo feito com palavra e pão.
Nasci no mato e me criei nesse chão.
Estou farto do inglês mal falado e do Jazz.
Quero ser batizado num samba-canção.
E do preto velho, sentado, beijar os pés.
Ô moleque ousado, corre solto na rima e dá um drible na métrica.
És um hiato.
Trovador pós-moderno das coisas fugidias.
Côncavo e convexo.
Que se queda perplexo, frente ao absurdo do dia-a-dia.
Neste tempo, embora eu esteja são, é inútil procurar pelo nexo.
Entre a mentira e o fato, não encerro nem principio.
Levo a palavra comigo, e ela vai.
Ser-se-á cantada ou falada, tanto faz.
Ser-se-á lida, quiçá adorada.
Ou morrerá ancorada à beira de um cais, não sei.
A mim, cabe a tarefa de escrever.
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